EU VI: INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL
Trailer
AVISO IMPORTANTE: embora eu tenha maneirado nos spoilers, deixado muita coisa no ar e comentado certos detalhes que apenas quem viu vai entender, pode ser que alguns pontos do texto possam estragar a surpresa de quem ainda não viu o filme. Portanto, se você não deseja correr nenhum risco, não siga em frente.
Assista ao filme primeiro, e só depois venha aqui para me xingar, ok?
Feito o aviso, vamos em frente.
Acabo de sair da pré-estréia do novo filme do Indy, e tenho de dizer: continuo mantendo “A Última Cruzada” como meu favorito.
O problema é que fui esperando por uma continuação mais tradicional, fiel ao espírito da série, e o pacote que vi na tela tinha alguns complementos adicionais que, ao meu ver, deixaram o resultado meio … diferente do que eu esperaria de um exemplar da franquia Indiana Jones.
Achei O Reino da Caveira de Cristal bem mediano.
Tem sci-fi demais, ação e humor de menos, e um elenco que não me animou. Cate Blanchett como vilã não me convenceu. Shia LaBeouf como o suposto filho de Indy e dublê de Tarzan, também não.
E como Sean Connery fez falta… justificaram sua ausência de forma bem enxuta, mas eu bem que preferiria que tivessem deixado a porta aberta, só para o caso do ator mudar de idéia e resolver retornar para uma possível sequência. Isso sim, foi uma pena.
Os problemas começam logo na abertura, que ficou muito lenta. E não vale usar a desculpa dos produtores, de que a aventura é à moda antiga, pois mesmo estas tinham um pique mais acelerado.
Poderiam ter dado uma resumida e colocado um pouco mais de movimento e menos blá-blá-blá.
Caramba, o homem desaparece por quase vinte anos e quando aparece na tela não arranca nenhuma empolgação da platéia?
Uma sequência de ação, mesmo à moda antiga, fez uma tremenda falta.
A história da tal Caveira também não me criou curiosidade. Sabe aquela ansiedade em saber no que tudo vai dar, em entender o que está acontecendo? Zero, nadinha.
Lendo uma matéria sobre o filme, falaram que o quarto filme não saiu antes porque faltava uma boa história para ser contada. Só que quando saí do cinema, o primeiro pensamento que me veio foi: “- Caramba, duas décadas de espera e essa é a melhor trama que bolaram?”.
Uma dúzia de roteiristas, tantos tratamentos, tanto biquinho do Harrison Ford e do George Lucas e o resultado é apenas esse, mediano???
Se eu pudesse mudar algumas coisas no filme, uma delas seria justamente a trama principal em torno do mistério da caveira.
Ao invés de correrem para descobrir qual o uso do artefato, eu colocaria o time de Indy atrás do artefato.
É simples, puro clichê, mas acredito que funcionaria melhor neste tipo de filme. E também evitaria a lição de moral boba no final, a respeito de conhecimento (ZZZZ).
Quanto ao final…
Até minha namorada, que não costuma assistir muitos filmes, até ela achou bobo - e foi então que tive certeza que não era apenas alguma cisma minha.
Ficou muito, mas muito forçado. Se tivessem deixado as explicações a respeito da origem da caveira no ar, de uma forma meio implícita, eu teria gostado. É até melhor, em alguns casos, deixar o público com a pulga atrás da orelha no final. Cada um cria sua teoria e pronto.
Só que preferiram apelar para um final extraordinário, com luzes, correria (pouca e desnecessária) e um final besta demais para um dos personagens principais… e dai em diante, o negócio só degringolou.
A última cena já nem me surpreendeu, pois o fechamento da aventura é bem pior, mas mesmo assim deixo registrado minha reclamação: parecia fim de novela, de tão conservador e previsível.
Ah, e antes que eu me esqueça: apesar dos pesares, eu teria colocado aquele chapéu em outra cabeça.
A esta altura você já deve estar pensando que eu detestei o filme.
Bom, se não ficou claro, eu repito: achei mediano. Serve para matar a saudade, causar alguns sorrisos no canto da boca, e até aumenta a expectativa em relação a um possível (pra não dizer previsível) Indiana Jones 5, melhor e mais merecedor do nome que carrega.
Mas pelo menos neste retorno da série, ficou claro que acabaram tomando cuidados demais e deixando de lado o principal, que seria contar uma boa história.
Quiseram colocar o filme num contexto histórico, fizeram questão de mostrar que estávamos na era atômica, tempo da brilhantina, filmes-b de terror e o diabo a quatro, mas e a história, meu deus??? - não qualquer uma. Eu me refiro a uma BOA história.
Spielberg ainda esnobou em Cannes, dizendo que o novo filme do Indy era ótimo e tinha a qualidade de trazer um protagonista que não é super-herói.
Só que, pelas minhas contas, o Homem-de-Ferro da Marvel teve um resultado muito melhor, e com um camarada que também não se encaixa no retrato clássico do gênero.
Espero que da próxima vez tenhamos uma aventura com A maiúsculo. E que eu não tenha que esperar mais vinte anos para isso.
Cuidados demais, nem sempre dão bons resultados. Curioso, não?
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