NOSTALGIA : OS ADORÁVEIS TRAPALHÕES (REVIEW DO LIVRO)
Certos ícones, por mais populares que sejam, ainda não encontraram na Internet brazuca o espaço merecido. E este é justamente o caso do grupo humorístico mais famoso do Brasil: Os Trapalhões.
O programa dos camaradas ficou décadas no ar, ainda está bem vivo na mente de milhões de brasileiros porém, ainda não há na internet um site que faça juz à fama do quarteto.
Nem mesmo a Rede Globo oferece espaço para uma de suas antigas jóias da coroa em seu portal.
Aos fãs, restam apenas um punhado de textos avulsos, geralmente curtos e (ou) pouco aprofundados espalhados pela grande rede… ou as centenas de vídeos com trechos do antigo programa da trupe, concentrados no youtube.
Bem, a boa notícia é que, pelo menos no mundo do papel, surgiu uma opção interessante para os interessados na carreira de Mussum, Zacarias, Dedé e Didi.
Trata-se do livro Os Adoráveis Trapalhões.

Livraria Cultura do Conjunto Nacional - Crédito pela foto: Flickrsampaist
Encontrei o título por mero acaso, enquanto caminhava pela Livraria Cultura do Market Shopping Center, em São Paulo.
Só aproveitando o assunto, um pequeno comentário: se você nunca foi a uma loja da rede, sugiro que dê um pulo em um de seus endereços ao visitar São Paulo.
Estive em todos e fiquei impressionado com a boa vontade e educação dos funcionários ao abordarem os clientes. Quem freqüenta livrarias de grande porte sabe que isso não é exatamente um padrão, e sim a exceção.
Gostei bastante do visual das lojas. A que fica na Avenida Paulista em especial (localizada dentro do Edifício do Conjunto Nacional), além de ser muito espaçosa, ainda oferece um acervo razoável de quadrinhos nacionais e encadernados importados.
Há também um café bem simpático no local (que, felizmente, não é uma franquia do Fran´s Café), porém ainda não tive a oportunidade de conferir se a qualidade do cardápio faz juz ao charme do lugar. Sempre que dou uma passada por lá o espaço está fervendo de gente!
A primeira abertura, já com a música clássica do programa
O livro foi escrito por Luís Joly e Paulo Franco, dois dos responsáveis por outra obra de sucesso, também baseada em outro ídolo dos anos oitenta: Chaves: Foi sem Querer Querendo? (que entrou na lista de mais vendidos em 2005, ano de seu lançamento).
Os Adoráveis Trapalhões é uma leitura rápida. São cerca de 150 páginas de conteúdo, que devorei em pouco mais que uma hora, enquanto estava preso no trânsito monstruoso de São Paulo.
Mas, embora curtinho, o recheio é “bem servido”, e deverá agradar tanto aos fãs mais antigos quanto aos eventuais curiosos.
Temos um apanhado geral na carreira do grupo, partindo da primeira formação, composta por Ivon Cury (comediante), Ted Boy Marino (lutador de Telecatch), Wanderley Cardoso (ídolo da Jovem Guarda) e Didi, ainda nos tempos da TV Excelsior, até o falecimento de Zacarias e a temporada de Dedé e Renato Aragão em Portugal – fato que, acredito, deve ser desconhecido da maioria dos fãs.
Certas passagens serviram para resgatar em minha memória fatos dos quais eu nemme lembrava mais, como a criação do Criança Esperança. O programa hoje é uma tradição na Globo, mas nasceu a partir do especial de 20 anos dos Trapalhões!
Outros trechos passam a limpo momentos confusos na história do grupo, como a briga dos comediantes em 1983, cujo ápice ocorreu nas telas dos cinemas - com Dedé, Zacarias e Mussum estrelando o filme Atrapalhando a Suate e Didi na produção O Trapalhão na Arca de Noé (ambos, com resultados pouco animadores).
Me recordo de ouvir essa história da briga dos humoristas, de forma muito superficial, da boca dos meus pais. Porém, somente agora consegui entender todos os detalhes do episódio.
O livro fecha com um pequeno guia comentado sobre a filmografia dos Trapalhões e uma seção de curiosidades, com enxutas nove páginas.
Além de jornais, livros e revistas, os autores ainda entrevistaram diversas pessoas importantes na trajetória do grupo, como Beto Carrero, Carlos Alberto de Nóbrega e o inesquecível Sargento Pincel (Roberto Guilherme).
Porém, Didi só aparece na publicação por meio de citações em antigas publicações. Somente Dedé Santana contribuiu com depoimentos (ou pelo menos é o que pode-se concluir pelos créditos no final da edição).
Didi e Zacarias cantam música do disco “O forró dos Trapalhões”
Mas e aí? O livro vale a pena?
Na minha opinião, vale o investimento.
Os autores souberam conduzir a obra no tom certo, sem tomar partido de ninguém, e valendo-se inclusive de entrevistas e matérias antigas para confrontar certas passagens - e deixar que os leitores tomem suas próprias conclusões.
Em vários momentos me senti como se estivesse no meio de uma conversa de bar, onde vários amigos contam seu lado de certo “causo”.
Mas, nem tudo são flores, claro.
Fiquei com a impressão de que os autores não puderam ir muito fundo nas histórias do grupo… e também senti falta de maior abrangência nas histórias de cada Trapalhão e em certas seções do livro.
Por exemplo: fala-se dos quadrinhos do grupo, porém não há depoimentos de nenhum dos autores envolvidos na produção das revistinhas. Seria ótimo ler o que Ely Barbosa (criador da Turma da Fofura e da Turma do Tutti-Frutti), dono do estúdio responsável pela primeira série dos Trapalhões, teria a dizer sobre o período em que produziu a revista.
A seção de curiosidades também me frustrou um pouco. Esperava um apanhado maior de histórias, até pelo fato da carreira dos Trapalhões ter atravessado mais de três décadas firme e forte – será mesmo que faltou material?
Mas, apesar desses pequenos probleminhas, achei Os Adoráveis Trapalhões uma leitura bacana. Ainda não é a obra definitiva sobre o grupo, mas enquanto ela não é lançada (se é que será lançada um dia) Adoráveis serve como uma boa entrada.
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Infelizmente, Ely Barbosa morreu no ano passado… então seus comentários não serão possíveis!
Fritador - Olá, Rafael.
Ptz, furo meu… não sabia desta notícia. Mesmo no próprio site do artista não há nada a respeito do fato.
Valeu pelo aviso. É uma pena mesmo.
Grande abraço.
April 21st, 2008 at 9:11 pm