CLÁSSICOS DA TURMA DA MÔNICA
A mudança de editora começa a render bons frutos para os fãs da turminha.
A Panini acaba de lançar o encadernado As tiras clássicas da Turma da Mônica.
O volume é o primeiro de uma série, cuja longevidade (creio eu) já está garantida, graças aos fãs mais nostálgicos dos personagens - os adultos.
O livro tem 132 páginas, sendo 114 delas recheadas com as tirinhas publicadas no ínicio dos anos sessenta.
O grande defeito da publicação fica por conta da escassez de comentários do diretor.
Com um material destes ganhando a luz depois de décadas, nós merecíamos muito mais que uma breve seção de notas no final da edição.
Neste ponto, a coleção Clássicos Disney da Abril sai na frente. Acompanhando quase todas as histórias há sempre uma ou mais páginas de matérias complementares, apresentando curiosidades e fatos relacionados com as publicações originais.
É o tipo de coisa que atrai um colecionador. E, convenhamos, este é o público alvo deste tipo de série. Mesmo o especial LOSTINHO, lançado meses atrás, parece planejado para quem passa dos vinte anos de idade.

BERNARDÃO: o primeiro emo dos quadrinhos brasileiros.
CURIOSIDADES - entre estréias, fatos curiosos e personagens esquecidos, há bastante material para saciar a sede dos fãs. Abaixo relacionei algumas das principais surpresas. Se não quiser tirar a graça da sua leitura, não leia todo o texto.
Manezinho: figurante em suas origens, começou a ganhar algum destaque há pouco, graças ao seu irmão português da gema, António Alfacinha. Hoje faz parte da chamada Turma do Bermudão.
Totó: um garoto com aparência de cachorro, pertencente a uma família de Lobisomens. Sua participação limita-se a meia dúzia de tirinhas. Se eu fosse escritor das hqs atuais, com certeza traria este camarada do limbo.
Penadinho: em suas primeiras aparições era chamado de Fantasminha, e foi vizinho do Cebolinha (!). A alma penada tinha uma família e havia imigrado da Inglaterra!
Zé do Peso: garoto cujo peso era atribuído ao azar - e não à gordura, pois ele mesmo era magro. Coisas bizarras aconteciam com o jovem, como afundar na terra ou ter seus pés derretidos (?). Incrível que tenha rendido mais que uma piada.

Manezinho e Alfacinha
Bernardão: este é um achado. Sempre de preto, cabelinho caído na testa e com atitude de indiferente, acho que poderia muito bem ser reincorporado à Turma como o primeiro personagem EMO do grupo. Verdadeiro gato-preto, é conhecido pelo azar danado. Taí mais um nicho esperando por seu representante.
Garotão: vizinho gigante do Cebola, não chega a aparecer neste álbum. Porém, nas histórias mais atuais (pelo menos cerca de uns sete ou dez anos atrás
) seus pés sempre apareciam.
Tio Mingo: pelo jeito, foi usado somente numa tirinha. Nela é comentado que ele possuía uma “vulcanizadora”, onde ele fazia recauchutagem de pneus. Porém, ela acabou falindo por causa do Homem-Borracha do Circo (o motivo? Ah, vá ler para descobrir).
Zé Luiz: figurinha fácil nesta fase, aparecia muito mais que o Cascão, atual melhor amigo do Cebolinha. Curiosidade: a Mônica, em suas primeiras aparições, era irmã do Zé! - bem que poderiam ter mantido as coisas desta forma.
Xaveco: se você também sempre quis saber o por quê deste nome, finalmente o segredo foi revelado. O nome original do rei dos coadjuvantes era originalmente escrito com CH, e fazia referência ao fato do cabelo do garoto ser semelhante ao formato de uma chave.

CASCÃO: se tivesse sido criado nos dias atuais, esta seria a cara do coitado
Mingão: o esquecido da turma, é mais um dos que foram para o limbo das criações. Se não me falha a memória, também fez uma aparição relâmpago em Lostinho.
Leonardo: artista mirim, não teria mais espaço nas revistas atuais. Sua equivalente feminina já ocupa este espaço - a Marina. Deu a cara em Lostinho.
Há uma dúzia de historinhas com propaganda da Folhinha de São Paulo, o suplemento infantil do jornal Folha de São Paulo, que existe até hoje. Lá pelo começo da década de noventa, salvo engano, a Turma da Mônica mudou de casa e foi parar no Estadinho - do concorrente O Estado de São Paulo.
O Cascão possuía uma aversão mais leve à água nesta época. Há uma tira em que ele lava o rosto e outra em que ele aparece depois de um banho.
Já neste comecinho de carreira, o Maurício usava a abusava da metalinguagem. Os personagens com frequência mostravam saber que estavam numa história em quadrinhos - uma das coisas que sempre me irritaram e hoje chegam a dar nos nervos, já que seu uso é frequente.
Várias historinhas são impossíveis de se entender, há menos que você tenha uns quarenta ou cinquenta anos (o que não é o meu caso), pois fazem referências a acontecimentos ou fatos da época. Aqui repito minha crítica sobre as notinhas explicativas no final da edição - teriam sido mais úteis nos rodapés das próprias páginas.
Mesmo com alguns defeitos, é uma publicação obrigatória para os fãs. Comprei o meu livro por R$19.80, mas tenho certeza que em alguns meses será possível encontrá-lo por preços mais baixos, em lojas virtuais.
Próxima aquisição: a republicação das primeiras edições das revistas da MÔNICA, CEBOLINHA, MAGALI, CASCÃO e CHICO BENTO.
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fritador, vc sabia que chegou “as tiras clássicas da turma da mônica vol.2″?
Fritador - Olá, Matheus.
Cara, estou com toneladas de novidades mas com um tempo meio escasso para atualizar o blog. Mas em breve prometo comentar por aqui estes lançamentos da Turminha.
Grande abraço.
May 10th, 2008 at 11:53 pm